Havia um banco na praça que ninguém notava.
Não porque fosse invisível, mas porque já fazia parte do cenário, como o chão ou as árvores. As pessoas passavam por ele todos os dias, apressadas, ocupadas demais para perceber que ali existia um convite silencioso.
Sentar.
Parar.
Respirar.
Mas quase ninguém aceitava.
Um senhor, no entanto, aceitava. Sempre no mesmo horário, sempre com a mesma calma. Sentava-se como quem entende que o tempo não precisa ser enfrentado, apenas acompanhado.
Enquanto o mundo corria, ele permanecia.
Observava os passos rápidos, os olhares distraídos, as conversas pela metade. Via tudo como quem lê um livro que nunca termina.
Um dia, ele não apareceu.
No outro, também não.
E foi só então que o banco deixou de ser invisível.
Alguém percebeu o vazio. Outro estranhou o silêncio. E, pela primeira vez, houve quem se perguntasse sobre aquele homem que parecia não fazer nada, mas talvez fosse o único que realmente fazia.
Nada mudou na praça.
Mas, de alguma forma, tudo parecia diferente.